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Antes de começar a opinar sobre Vancouver tenho que admitir a impossibilidade de ser imparcial, pois morei lá por mais de 8 meses e a cidade é simplesmente incrível!!! Eleita, em razão da qualidade de vida, uma das melhores cidades do mundo para viver, Vancouver encanta a qualquer um logo nos primeiros passos. Cosmopolita por excelência, atrai turistas, estudantes, intercambistas e imigrantes do mundo todo.

Por ser uma cidade moderna, a locomoção não é tarefa das mais difíceis. Além das ruas seguirem um padrão quadriculado e o sistema de transporte ser bem estruturado – ônibus, táxis, Sky trains –, é possível caminhar entre os principais pontos turísticos, já que a área central é relativamente pequena

Skytrain, o eficiente metrô de superfície
Skytrain, o eficiente metrô de superfície

A cidade que foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2010 possui uma extensa lista de atrações turísticas e “coisas para fazer”. São inúmeros parques, montanhas, prédios, museus, praças, etc. Em razão do belo cenário ao redor, as atividades ao ar livre são as que mais se destacam.

Skyline de Vancouver
Skyline de Vancouver

Um ótimo lugar para ser visitado é o imenso Stanley Park, localizado na área central de Vancouver. Esse gigante ocupa 404 hectares e abriga uma diversidade de opções de lazer. No seu interior estão localizados o Vancouver Aquarium Marine Science Centre, Totem Park, Beaver Lake, Lost Lagoon, além das praias de English Bay e Second e Third Beach. Nele, ainda, é possível praticar os mais diversos tipos de esportes – já que conta com quadras de tênis, basquete, campo de golfe, piscinas, diversas trilhas para caminhadas e corridas -, ou somente passear despreocupado por sua extensa área.

Uma dica é alugar uma bicicleta – diversas lojas fazem, principalmente no Cool Harbour (que também vale uma visita!!) – e contornar o Stanley Park pelos 8.8 quilômetros do seawall, passando pelo Siwash Rock, enquanto se observa o skyline da linda grande Vancouver.

Já na área central, vale a pena uma caminhada pelo coração de Downtown – a Granville Street. Lá podem ser encontrados, além de diversos restaurantes, clubs e pubs, diversos artistas de ruas e gente de todas as tribos. No verão é ainda mais intenso, pois a rua é fechada para o tráfego de veículos e vira um espetáculo a céu aberto. A dica de restaurante na Granville Street é o The Famouse Warehouse (989, Granville St). O lugar é pequeno e escuro, e preserva a atmosfera do skate, surf, snowboard e esportes radicais. O hambúrguer de lá é ótimo e os preços são justos. À noite há muitas baladas e pubs que merecem uma ida: The Cellar Nightclub (1006, Granville St), Doolin´s Irish Pub (Granville esq. Nelson), dentre vários outros.

No verão artistas de rua tomam conta da Granville Street.
No verão artistas de rua tomam conta da Granville Street

Além disso, em Downtown vale a pena conhecer a Catedral de Vancouver – Christ Church Cathedral, o prédio do refinado Fairmount Hotel, o HSBC Building com seu pêndulo cinético de sete andares, a Vancouver Art Gallery, Vancouver Central Library, Robson Square e as Cortes Judiciais. Se você gosta de compras, vale caminhar pela Robson Street, e ver as diversas lojas de marcas famosas. Ainda no centro, merece uma visita o BC Sports Hall of Fame and Museum, considerado o maior museu de esportes do Canadá, BC Stadium, o Rogers Arena, que é a casa Canucks, o time de hóquei de Vancouver (tente ir a um jogo!), a Plaza of Nations e False Creek, enseada de água salgada no centro da cidade, e o Science World, museu interativo de ciências, que exibe de longe seu majestoso formato domo geodésico.

Em uma passada pela Waterfront – zona portuária de Vancouver – é possível notar diversos prédios históricos, uma vez que a cidade por lá começou. O Marine Building, com grades de bronze em sua entrada, pode ser considerado um dos mais exuberantes. Outro notável é o histórico prédio da Waterfront Station, principal terminal do SeaBus, Sky Train e trens da West Coast Express. Ainda naquela zona tem o imponente prédio do Canada Place, que, em formato de velas, foi construído para a Expo86 e hoje é um terminal de navios de cruzeiros e ainda abriga o Vancouver Trade and Convention Centre, Cinema com tecnologia IMAX (aqueles das telas gigantes!), além de alguns restaurantes. Perto dali é possível visitar o Harbour Centre e subir seus 169 metros pelos elevadores de vidro. Lá em cima se tem uma visão 360 graus da cidade. O prédio ainda conta, também no topo, com um restaurante giratório.

Vista do Canada Place e de North Vancouver, desde o topo do Harbour Centre.
Vista do Canada Placa e do North Vancouver, desde o topo do Harbour Centre

Já em Gastown a pedida é caminhar pela rua principal, a Water Street, a qual, pavimentada com tijolos vermelhos, abriga em seus edifícios do século 19 muitos restaurantes (conheça o Old Spaghetti Factory!!), pubs e lojas de souvenir. A famosa via ainda exibe o primeiro relógio a vapor do mundo, na esquina da Water com a Cambie Street.

A linda Gastown durante a noite. À esquerda o primeiro relógio à vapor do mundo. Foto : Thiago Crevatin (www.thiagocrevatin.com)
A linda Gastown durante a noite. À esquerda o primeiro relógio à vapor do mundo.
Foto Thiago Crevatin www.thiagocrevatin.com

Vancouver também conta com uma Chinatown, que representa sua cultura através de suas lojas de produtos típicos, salas de chá e restaurantes. Bastante colorido, o bairro chinês contempla o Chinese Cultural Centre Museum and Archives e o jardim Dr. Sun Yat-Sem Classical Chinese Garden. Vale uma visita!

Passando para a parte sul da cidade, o bairro Yaletown oferece inúmeras opções de restaurantes e bares. A vida noturna é intensa por lá. Para aqueles que preferem o dia, ali pertinho tem o Vanier Park, que abriga o Vancouver Maritime Museum, o H.R. MacMillan Space Centre e o Vancouver Museum, considerado o maior museu cívico do país.

Cruzando a ponte, pela Granville Street, chega-se à Granville Island, onde fica o colorido Granville Island Public Market. O imperdível mercado público possui diversas bancas com frutas, verduras, chocolates, doces, carnes, massas frescas, queijos, além de ter uma rica praça de alimentação. Na parte externa do local, principalmente nos meses de verão, há shows de artistas de rua. A ilha também oferece passeios em barcos pequenos, o que é uma ótima alternativa para ver o False Creek. Por fim, uma sugestão para pegar um magnífico pôr-do-sol é uma ida até a praia de Kitsilano Beach.

Um pouco mais afastado, mas não menos interessante, tem-se a Universidade de British Columbia, a UBC. O campus mostra grande parte da atmosfera universitária da cidade, além de possuir o UBC Botanical Garden, diversos outros jardins, prédios ornamentados e, talvez como atração principal, o UBC Museum of Anthropology, que conta com mais de 13 mil peças e uma das consideradas melhores coleções do mundo de arte dos povos nativos da costa noroeste.

Vale lembrar que os arredores de Vancouver – conhecida como a Grande Vancouver – também são cheios de pontos interessantes.  Perto de downtown e de fácil acesso – inclusive via ônibus -, é possível visitar as 3 montanhas (Grouse, Cypress e Seymour) que deixam Vancouver ainda mais espetacular. A Grouse Mountain é a melhor estruturada. Nos meses de verão, pode ser subida por teleférico (skyride) ou, para os mais esportistas, pelos seus 2.9 quilômetros de degraus. No topo há restaurantes, cafeterias, tirolesa, shows com lumberjacks (lenhadores), lago, observatório de ursos, trilhas e, claro, tudo isso com a impressionante vista da cidade de Vancouver. Não é raro ver casamentos no topo da Grouse Mountain (eu assisti a um!!). Já nos meses de inverno é o esqui e o snowboard que movimentam a montanha.

North Vancouver é a área mais virgem da metrópole. Deixando downtown e cruzando a Lions Gate Bridge (ponte que divide Vancouver e North Vancouver), chega-se a área que concentra diversos parques naturais. O Capilano Suspension Bridge Park, por exemplo, é uma excelente opção para aqueles que curtem trilhas e caminhadas, além de possuir uma ponte suspensa feita em madeira e cordas, que, com seus 137 metros de comprimento, cruza o cânion sobre o Rio Capilano. O Lynn Canyon Park é outro com a mesma proposta, inclusive possuindo ponte suspensa, mas com a vantagem de ser free!! Ainda em North Vancouver, vale a pena visitar uma das áreas que, para mim, é um dos lugares mais bonitos da cidade: O Deep Cove. O vilarejo, que conta com mansões de frente para o mar, um pequeno yatch clube e uma charmosa praça pública, fica em meio a um vale de montanhas e é agraciado por uma linda enseada. Ótimo para passar o dia, é possível alugar caiaques, fazer picnics e/ou apenas relaxar, caminhando pela orla do mar.

Lynn Canyon Park
Lynn Canyon Park

Já em outra área da cidade – West Vancouver -, a opção para trilhas e caminhadas fica por conta do Lighthouse Park. Como a área é contornada pelo mar – Estreito de Geórgia -, além da rica vegetação, o lugar ainda conta com um pequeno farol, que “empresta” seu nome ao parque. Pertinho dali, outro vilarejo imperdível é o Horseshoe Bay, que também fica em frente ao mar e é rodeado por montanhas. Horseshoe Bay abriga o terminal dos ferries que vão para a Ilha de Vancouver e possui um pequeno centro comercial com lojas e restaurantes, tornando-se perfeito para comer um tradicional fish and chips. No local há uma marina onde é possível agendar passeios e, para aqueles que se habilitam, alugar uma lancha para desbravar a linda baía.

“Coisas para fazer” e “lugares para ir” é o que não faltam em Vancouver. Com tanto para ver, somado às facilidades de locomoção e hospitalidade dos Canadenses, o difícil mesmo é querer deixar a cidade!!!

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

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