Pórtico do Forte Ozama Caribe / Rep. Dominicana

Que foi Cristóvão Colombo quem descobriu a América ninguém tem dúvida. Mas o que nem todo mundo sabe é que foi na República Dominicana onde o explorador desembarcou pela primeira vez no continente americano, formando assim o primeiro assentamento europeu permanente na América. Aliás, isso justifica os tantos “primeiros” de lá: a Capital Santo Domingo como primeira capital do Império Espanhol no Novo Mundo; a Catedral Primada de América como a primeira catedral do continente etc.

Tendo como único vizinho o Haiti, a ilha é banhada pelas águas cristalinas do mar caribe. Mas muito mais do que lindas praias, nesse grande país – em todos os sentidos, uma vez que é o 2º maior do Caribe, apenas atrás de Cuba – encontrei uma riqueza histórica bastante particular, lindas regiões de montanha, uma vasta e preservada área rural, impactantes cachoeiras e quedas d’água e, o melhor de tudo, um povo extremamente hospitaleiro e gentil.

Passei 15 incríveis dias mochilando pela ilha e conheci os seguintes lugares:

Você deve estar perguntando: E Punta Cana??

Pois é… acabei abrindo mão em favor de outras partes menos turísticas. Afinal, nem só de Punta Cana vive a República Dominicana!


Mas antes de colocar a mochila nas costas, aí vão algumas dicas que podem te ajudar por lá:

– Se você tem carteira de estudante, leve! Os descontos nas entradas das atrações costumam ser bem vantajosos em Santo Domingo.

– Se Porto Rico está nos seus planos, saiba que a empresa America Cruise Ferries faz o trajeto entre os dois países três vezes por semana. Para informações de horário e preço visite o site da empresa.

– Há uma taxa de saída do país no valor de US$ 20.


SANTO DOMINGO

Acredito que não há quem não se sinta em casa na capital Santo Domingo. Bastante autêntica, a cidade contempla bairros para todos os gostos. Seu coração, sem dúvida, é a Zona Colonial, a qual está listada como patrimônio histórico mundial pela UNESCO. E não é à toa, pois aqui foi formado o mais antigo assentamento europeu na América e foi a primeira sede do governo espanhol no denominado Novo Mundo.

A maioria das atrações de Santo Domingo está na charmosa Zona Colonial. Como ficam relativamente próximas umas das outras, não é necessário pegar táxi, ônibus ou outro tipo de transporte. A própria caminhada por suas ruas de pedra e casarões históricos já faz valer o passeio.

O Parque Colón é o centro da Zona Colonial. É muito comum ver os locais sentados nos diversos bancos espalhados pela praça, alguns jogando dominó, outros conversa fora e outros apenas olhando o movimento. Lá também está a Catedral Primada de América, que é a mais antiga em funcionamento na América.

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Parque Colón e Catedral Primada de América – sempre rodeada por turistas

A principal via da Zona Colonial é Calle El Conde, a qual se estende do monumento Puerta Del Conde até a escadaria de pedra que leva às margens do Rio Ozama. É o único calçadão de Santo Domingo (rua exclusiva para pedestres) e é repleta de lojas, comércios, hotéis, restaurantes.

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A Peatonal Calle El Conde

Ao final da rua principal – ou ao início, depende do ponto de vista – está o histórico Parque Independencia, no qual, como o nome já diz, encontram-se os monumentos relacionados às diversas batalhas pela independência da República Dominicana. Ao centro está o Altar da Pátria, mausoléu feito em mármore branco onde descansam os restos mortais dos heróis nacionais Juan Pablo Duarte, Francisco Del Rosario Sánchez e Ramón Matías Mella. Também no parque pode ser visto a Rosa dos Ventos, que, esculpida em bronze e incrustada no chão, é o marco zero de todas as distâncias medidas na ilha. Por fim tem-se a Puerta Del Conde. Construída em forma de arcos com gigantescos blocos de pedra, era a única entrada da cidade de Santo Domingo. Pelo fato de ter sido palco da Proclamação da Independência da República Dominicana em 27 de fevereiro de 1844, bem como o lugar onde a bandeira nacional foi hasteada pela primeira vez, é considerado um dos monumentos mais importantes do país.

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Parque Independencia e Puerta del Conde, construída em forma de arcos com gigantescos blocos de pedra

A Zona Colonial de Santo Domingo é rica em praças. Ao caminhar por suas ruelas você vai encontrar diversas delas. São ótimos lugares para uma descansada e geralmente estão juntas a outras atrações interessantes. Na Rua Padre Bilini, por exemplo, há a simpática Plaza Fray Bartolomé de Las Casas. Junto a ela está o Convento de la Orden de los Predicadores, que foi o primeiro convento da Ordem Dominicana na América.

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Convento de la Orden de los Predicadores, que foi o primeiro convento da Ordem Dominicana na América

Ali por perto está também o Larimar Museum (Calle Isabel La Católica, 54. Entrada free). Larimar é uma pedra azulada, típica da República Dominicana. Com ela são feitos brincos e joias. O museu é meio “pega turista”, uma vez que diversas peças estão à venda na loja. Mas mesmo assim vale a visita, ainda mais porque a entrada é grátis. Nessa mesma linha há o Museo Mundo de Ambar (Calle Arzobispo Meriño, 452. Entrada RD$ 50, em out/2012), cujo propósito é dar informações sobre o âmbar, que é uma pedra preciosa feita de uma resina vegetal amarelada. O museu é bastante interativo e nele há microscópios, vídeos e computadores explicando e mostrando o âmbar. Bastante interessante porque há vários insetos e resíduos vegetais que foram fossilizados por essa resina.

Uma percorrida pelo Mercado Modelo (Avenida Mella, entre Calle Santomé e Del Monte y Tejada) é uma ótima oportunidade para ver o artesanato local. A barganha é livre!

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Artesanato local

Em uma despreocupada caminhada pela cidade é interessante visitar a Igresia Nuestra Señora de las Mercedes (Calle Las Mercedes esquina Calle José Reyes), que foi construída na metade do século XVI; as Ruínas del Hospital San Nicolás de Barí (Calle Hostos, esquina General Luperón), cuja construção se deu entre os anos 1505 e 1508, sendo o primeiro hospital da América e; Ruínas do Monastério de San Francisco (Calle Hostos, esquina Restauración), que foi o primeiro monastério do “Novo Mundo”. Quando estive lá, em outubro de 2012, havia shows de música típica – Bachata e Merengue – todos os finais de semana, em um palco montado na frente das Ruínas do Monastério. Turistas e locais dividiam aquele espaço dançando e assistindo as apresentações. Muito bacana!!

Pela Calle de Las Damas, primeira Rua de Santo Domingo, está o solene Panteón Nacional, cujas instalações já serviram como depósito de tabaco, teatro, escola e prédios da administração do governo e hoje abriga o mausoléu onde jazem diversas autoridades civis e militares; e a preservada Fortaleza Ozama (entrada RD$ 70 ou RD$ 10, para estudantes) que, construída no estilo medieval entre os anos de 1503 a 1507, serviu como fortificação militar visando à proteção da cidade contra ataques piratas e de conquistadores Ingleses, Franceses e Portugueses. No seu interior estão a Torre de Homenaje, o Pórtico e o Depósito de Pólvora.

Junto a Plaza España está um dos mais importantes museus da República Dominicana. O prédio que hoje é o Museo Alcázar de Colón (entrada RD$ 100) foi a primeira residência do filho de Cristóvão Colombo, Diego Colombo. A mansão, que tem como vista o Rio Ozama, foi construída no ano de 1511 e foi ocupada por sua família até 1577. Em 1955 foi transformada no atual museu. No seu interior estão expostas diversas peças de propriedade da família Colombo. Depois da visita, uma dica é sentar em um dos diversos restaurantes e bares existentes na Plaza España e aproveitar o final de tarde. Uma jarra de sangria ou uma Presidente – cerveja local ­– caem muito bem!

Poucas atrações estão fora da Zona colonial. Dentre elas o Faro a Colón, ou Farol a Colombo, em Português (Parque Mirador Del Este, entrada RD$ 65 ou RD$ 20, para estudante) que consiste em um monumento de 210 metros de comprimento e 59 de largura, construído em alusão aos 500 anos do Descobrimento da América. A obra foi feita em forma de cruz, simbolizando a cristianização do continente americano. À noite feixes de luz são lançados ao céu, formando uma imensa cruz que pode ser vista de longe. Foi inaugurado em 1992 e funciona como museu, abrigando objetos vindos de diversos países americanos. No seu interior há uma espécie de altar onde supostamente estão guardados os restos de Cristóvão Colombo – o que é bastante discutido.

Relativamente perto do Faro a Colón tem-se o Parque Natural 3 Ojos (entrada RD$ 100), que é uma das poucas atrações naturais de Santo Domingo. Consiste em um cenote com três aberturas – daí o nome 3 olhos! Cenotes são crateras naturais formadas no solo, geralmente interligadas subterraneamente e dentro de cavernas, inundadas com águas cristalinas, tendo como resultado lindas piscinas naturais. Embora seja proibido se banhar, é um bonito lugar para visitar.

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Cenote do Parque Natural 3 Ojos

Como essas últimas atrações – Faro a Colón e Parque Natural 3 Ojos – ficam afastadas da Zona Colonial e o transporte público para o local não é regular, é conveniente contratar um serviço de táxi para fazer o percurso. Por US$ 20 acertei o transporte com o Senhor Diomede, um simpático taxista que trabalha na Calle Isabel la Católica, em frente a Plaza de Maria de Toledo. Recomendo muito esse cara!! Diomede foi me explicando várias coisas durante o caminho, contando aquelas histórias que só os locais sabem. No percurso de volta me perguntou: Rodrigo, você quer ir a uma atração típica de verdade, daquelas que só vai o povo local? Claro que respondi sim. Então fomos a uma Rinha de Galo que, embora cruel e eu não partilhe dos maus tratos a animais, é um esporte tradicional da República Dominicana. Os combates são realizados nas noites das segundas-feiras no Club Gallístico Los Mameyes. É cobrada uma entrada de RD$ 200. Muita gente faz aposta, outros só vão para tomar cerveja e ver as brigas. É grito e pena para todo o lado!!!

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Rinha de Galo no Club Gallístico Los Mameyes.

Sobre hospedagem, a minha dica é o Plaza Toledo Bettyes Guest House. Localização melhor não há! Fica no centro da Zona Colonial, na Calle Isabel la Católica, ao lado da Plaza de Maria de Toledo e a uma quadra da Plaza Colón. Paguei cerca de US$ 12 por noite em outubro de 2012.

E essa foi minha experiência nessa incrível cidade. Muito mais do que turismo, visitar Santo Domingo é uma aula de história!


SAMANÁ

Infelizmente não tive muita sorte ao visitar a linda Província de Samaná, pois peguei os efeitos do furacão Sandy, aquele que passou também pela Jamaica, Cuba, Bahamas, Haiti, e Estados Unidos, incluindo New York, em outubro de 2012. Assim, tive que ficar no hostel na cidade Las Terrenas por alguns dias, esperando o mau tempo ir embora. Sorte que escolhi o Backpacker Cotubanama Samaná, que conta com uma boa estrutura. Aproveitei para colocar a leitura em dia.

Mesmo não tendo conhecido as praias da Província de Samaná a ida foi muito válida, já que consegui visitar a maior atração daquela região: a Cascada El Limón.

A incrível cachoeira fica na pequena cidade de El Limón, a uns 40 minutos da cidade de Las Terrenas. Para chegar é preciso pegar uma ‘gua-gua’ (assim são chamadas as vans que fazem o transporte público na República Dominicana). Logo ao desembarcar muitos ‘moto conchos’ (equivalente aos nossos moto-taxistas) lhe abordarão, oferecendo transporte até a entrada do parque, cavalo e guia. Os valores variam bastante e são negociáveis. Dos US$ 30 dólares cobrados em um primeiro momento, consegui, depois de muita pechincha, por apenas US$ 12 dólares! Empresas de turismo fazem o mesmo tour por aproximadamente US$ 50 dólares. É recomendável separar uma gorjeta para o guia.

Uma vez montado na mula Paloma, comecei a subida na montanha. Durante os 3 km do percurso o guia foi fazendo paradas e explicando diversas curiosidades sobre a região. Mostrou árvores nativas como as de café e cacau. Explicou também o processo de fabricação do chocolate, que é de ótima qualidade por lá.

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A Mula Paloma

De longe já é possível avistar a imensa queda d’água, incrustada em meio a densa vegetação.

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Chegar ao pé da cachoeira é a merecida recompensa. São 52 metros de queda d’água sobre uma rocha coberta com limo, formando uma piscina natural onde é possível se banhar.

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El Limón – 52 metros de queda d’água

Após o relaxante banho, retorna-se ao ponto de partida, entrega-se o cavalo e toma-se uma gua-gua de retorno a cidade de Las Terrenas. Uma dica importante para esse tour é levar água e comida. Não há infraestrutura no local.


SANTIAGO DE LOS CABALLEROS

Santiago de Los Caballeros, ou somente Santiago, está localizada a noroeste do país e é a 2ª cidade mais populosa da República Dominicana. A meu ver é somente uma cidade grande, sem muitos atrativos além de bares e restaurantes – recomendo o Ahí Bar Café&Grill. Por outro lado, é hub para um dos lugares mais divertidos de toda a ilha: Os 27 Charcos de Damajagua.

Os 27 Charcos de Damajagua ficam a aproximadamente 1,½ hora de Santiago e consistem em uma formação de 27 piscinas naturais, em uma montanha, sobrepostas uma sobre as outras. Para o tour é obrigatório o uso de colete salva vidas e capacete, bem como a companhia de um guia local. São realizados três tipos de subidas: até a 7ª, 12ª ou 27ª cachoeira. Para chegar a qualquer uma delas é necessário realizar uma trilha em meio à floresta. Uma vez nas cachoeiras, a brincadeira é voltar à 1ª pulando de piscina em piscina. O guia vai lhe orientando onde e de que forma pular. Em muitas delas é possível nadar e até mesmo escorregar nos toboáguas naturais.

Os preços incluem colete salva-vidas, capacete e guia treinado e variam de acordo com sua nacionalidade e com a cachoeira escolhida.

Tabela 27 charcos

O parque abre diariamente das 8am a 3pm. Se a ideia é ir até a 27ª, chegue cedo. Se possível, evite os finais de semana, pois fica lotado.


JARABACOA

A pequena Jarabacoa fica aos pés da cordilheira central, perto do ponto mais alto da República Dominicana, o Pico Duarte (o qual infelizmente não subir porque não havia gente suficiente para formar um grupo. Fica para a próxima!). A cidade é perfeita para aqueles que gostam de turismo rural e esportes de aventura.

Minha ideia era chegar cedo, fazer um rafting e voltar a Santo Domingo. No entanto, não havia saída naquela manhã e tive que esperar até o dia seguinte. O que de fato foi uma ótima solução.

Fiquei hospedado no Rancho Baiaguate, que é um complexo de hotelaria rural e operador de turismo. O Rancho conta acomodações privadas e compartilhadas, solucionando o problema daqueles que viajam sozinhos. A outra vantagem de ficar lá é o desconto de 50% nas atividades. São oferecidos rafting, canoismo, mountain bike, passeios a cavalo e trilhas em quadriciclos. Assim, paguei US$ 35 pela cama em quarto compartilhado, incluso o café, almoço, janta e uso das instalações (piscina, pescaria no lago, ping-pong, etc).

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A tranquilidade do Rancho Baiaguate

Já que tinha o dia inteiro livre, fui ao Salto Jimenoa a cavalo. O percurso é curto e bastante agradável. As quedas d’água são bem fortes:

Na manhã do dia seguinte finalmente chegou a hora do tão esperado rafting no Rio Yaque Del Norte, que é o maior da República Dominicana. A brincadeira começa na ida até o rio, uma vez que a estrada é de chão e o transporte é feito na carroceria de um caminhão. Fui com um grupo bem bacana, o que fez toda a diferença na atividade.

A descida custa US$ 50 dólares – ou US$ 25 para os hóspedes do Rancho Baiaguate – e dura aproximadamente 2 horas. Inclui o treinamento com os guias, equipamento, café da manha, lanche e almoço.

O percurso se dá por paisagens impressionantes. Sem falar na adrenalina nos trechos mais agitados, como o “Mike Tyson”, por exemplo.

Ainda volto lá para subir o Pico Duarte!

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

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