Jamaica – uma volta pela terra do Bob Marley

Terra do Bob Marley, do Reggae e de otras cositas mas, Jamaica está na bucket list da grande maioria dos mochileiros e viajantes. Com uma forte influência da cultura africana, é um país rico em diversos aspectos. Além da gastronomia e da música, a qual está por todos os lados, a ilha oferece lindas praias, cachoeiras e montanhas.

Fiquei por 15 dias mochilando por lá e consegui completar a volta na ilha. Passei pelas seguintes cidades:

Minha experiência na imigração não foi das mais tranquilas. Fui levado a uma sala com alguns passageiros clandestinos. Após uma longa espera, dois oficiais de imigração me chamaram e começaram um extenso questionário. Expliquei praticamente toda minha vida, propósito da viagem, quanto de grana levava, mostrei alguns guias de viagens, próximos destinos, fotos de onde eu estive etc e, mesmo apresentando minha passagem de saída (da Jamaica para a República Dominicana), não queriam me deixar entrar.  Mais uma longa espera na salinha até que finalmente me chamam outra vez. Explicaram que muita gente vai para lá para trabalhar de forma ilegal no cultivo da maconha ou café. Liberam minha entrada com a condição que eu não fosse trabalhar.

Employment not allowed!!!

KINGSTON

Passado o episódio da imigração, estava apto para conhecer a cidade.

A capital Kingston, a meu ver, é apenas uma cidade grande e sem muitas atrações interessantes. É, basicamente, divida em downtown e uptown. Logo na chegada o que impressiona é o barulho e o trânsito caótico. É famosa por ser insegura, então o cuidado nunca é demais. Vale uma visita, mas não de muitos dias.

Os principais pontos da uptown são:

Bob Marley Museum, 56, Hope Road, Uptown, Kingston

É, sem dúvida, o lugar mais visitado da cidade. Casa onde o Rei do Reggae viveu e gravou seus discos desde 1975 até sua morte em 1981. O pátio é inteiramente decorado com as cores da cultura rastafári. Há uma parede com fotos do Bob Marley em diversas situações. Dentro da casa, onde não é permitido tirar fotos ou gravar, estão expostos seus pertences, fotos e seus álbuns, incluindo os discos de ouro e platina – Exodus, 1977; Uprising, 1980; e, talvez o mais conhecido, o Legend, 1984. Há ainda, no pátio nos fundos da casa, um teatro/cinema onde é passado um documentário sobre a história do Bob Marley. O espaço conta também com uma loja de souvenires e uma cafeteria, o Legend Café.

Devon House, 26, Hope Road, Uptown, Kingston

Mansão em estilo colonial construída em 1881 por George Stiebel, um fabricante de rodas de madeira que se tornou o primeiro negro milionário da Jamaica. A mansão possui três andares e em seu interior são mostrados os móveis de luxo da época, além de quadros e pertences da família. Na área externa há muito bem cuidados jardins. No pátio interno há uma sorveteria em funcionamento, além de lojas de souvenires. A visita guiada custa J$ 850 (out/2012) e dá direito a um sorvete.

A mansão de George Stiebel, o primeiro negro milionário da Jamaica

Em downtown vale a pena uma caminhada, passando pelo William Grant Park, pelo Institute of Jamaica e pela National Gallery of Jamaica. Uma passada pela Ocean Boulevard também é interessante.

A vida noturna de Kingston é bastante curiosa. Embora seja um país com uma identidade musical bastante forte, não notei muitas opções de lazer à noite. As casas noturnas mais conhecidas e indicadas para tomar uma Red Stripe (cerveja local jamaicana) são o Track and Records, moderno pub do corredor Usain Bolt e o Red Bones Blues Café, que funciona como casa de shows e restaurante.

Fiquei muito bem hospedado no Reggae Hostel, melhor opção entre os mochileiros. Boa localização e bom atendimento. O jamaicano Scott, proprietário do lugar, ajuda muito com dicas e curiosidades do seu país. O hostel conta com um bar, perfeito para tomar uma Red Stripe gelada e trocar experiências com outros viajantes.

Nos arredores de Kingston vale a pena uma visita na histórica cidade de Port Royal, que possui o Fort Charles, Old Gaol House e a St. Peter´s Church. Ônibus locais em Kingston fazem o percurso.

 

BLUE MOUNTAINS

O silêncio, as paisagens e o contato com a natureza compensam todo o esforço necessário para chegar às Blue Mountains.

A paz de Blue Mountains

O acesso é difícil, mas não impossível! Vans e route taxis (táxis coletivos) saem do distrito de Papine, em Kingston, em frente do Supermercado Park View na praça principal, sem horários pré-estabelecidos. À medida que as conduções vão lotando, vão partindo. Passam, no caminho, pelas cidades de Mavis Bank e Newcastle. O ponto final é em Mahogany Vale Bridge, quando algum transporte privado deve ser contratado (geralmente com a própria hospedagem). Alugar um carro não é má ideia!

Falando nisso, evite viajar pela Jamaica aos domingos. Os route taxis e vans não trabalham e os táxis privados são a única opção. E os preços ficam exorbitantes!

O “conforto” dos transportes Jamaicanos

Um dos produtos mais famosos da Jamaica é a maco… digo, o café! O mundialmente conhecido Café Jamaicano é cultivado nas Blue Mountains. Na área há diversos fazendeiros, os quais juntam seu produto em uma cooperativa, que realiza o processo de embalagem e importação.

Se você gosta de Trekking e Hiking, esse é o lugar! As Montanhas Azuis contam com diversas trilhas em meio à floresta. A mais famosa e melhor conservada é a Blue Mountain Peak, o ponto mais alto da Jamaica – 2256 m. Desde o topo, em dias claros, é possível avistar as bordas norte e sul da ilha, bem como o contorno de Cuba, mesmo estando a 210 km de distância. O trajeto é relativamente tranquilo e o percurso completo pode ser executado em aproximadamente 8 horas. Como um dos objetivos é ver o sol nascer, a subida é geralmente feita durante a noite. Não esqueça os calçados apropriados, comida, água, lanterna e claro, de beber o legítimo café das Blue Mountains antes de partir! Guias podem ser contratados em Penlyne Castle (ou também na hospedagem), embora a orientação não seja tarefa difícil.

Infelizmente não tive tanta sorte. No dia em que subi tinha bastante névoa e não foi possível ver nada além de 5 metros. Fica para a próxima!

A montanha é bastante restrita quando o assunto é hospedagem. O lugar mais famoso e procurado por mochileiros é o Jah B´s Guest House, que é uma boa opção para aqueles que querem fazer a trilha ao topo, visitar alguma plantação de café e, sobretudo, imergir na cultura rastafári. A pousada fica na localidade de Penlyne Castle e é administrada pelo Rasta Jah B. Bastante simples, o local possui poucas camas e a única comida servida é I-tal, típica do movimento rastafári. Jah B leva seus hóspedes em suas plantações de café, contata guias de trekkings e organiza o transporte de retorno para Kingston ou outros lugares da ilha. Os preços das acomodações e refeições são razoáveis (US$ 15/noite e US$ 10 a refeição, em outubro de 2012). O transporte, pelo fato de não existir outra opção, é bastante caro (paguei US$ 40 até o trevo de Seaforth). Reservas precisam ser feitas com antecedência.

Jah B’s Guest House

REACH FALLS

Próximas a Port Antonio, as Reach Falls são consideradas umas das mais bonitas quedas d’água da Jamaica! Incrustadas na densa floresta jamaicana, consistem em lindas cascatas com a formação de pequenas piscinas naturais de cores inconfundíveis.

Route taxis e vans que rodam entre Kingston e Port Antonio, via Morant Bay, deixam em frente da entrada do parque. Há ainda uma subida de aproximadamente 3 km que pode ser feita a pé ou em táxis particulares.

A entrada custa US$ 10 e o parque funciona de quarta a domingo, das 8:30 às 16:30 horas. Guias oferecem seus serviços em troca de alguma gorjeta.

Sinceramente não sei se há opções de hospedagem. Acabei ficando na casa de um local que me guiou nas cachoeiras. Cobrou US$ 15 dólares pelo tour, pela estadia, janta e café da manhã.

BLUE LAGOON

Um dos cenários das gravações do lendário filme da sessão da tarde “A Lagoa Azul”, o Blue Lagoon é um dos lugares mais visitados da Jamaica. Localizado perto de Port Antonio, a lagoa fica dentro de uma propriedade particular e somente é acessível através de barco. Guias ficam à espera dos turistas para venderem seus serviços. O preço é negociável. Dos J$ 2500 cobrados pelo roteiro e refeição, com muita barganha consegui por J$ 1500 (aproximadamente R$ 40 na época). Não se esqueça de incluir o almoço nesse preço. Não há restaurantes no local!

A primeira parada foi em uma praia pequena:

Logo após rumei para a tão esperada lagoa azul!

As cores são impressionantes! No local, que é bastante simples, não há nada além de uma natureza exuberante e um ‘buraco’ de água doce, conhecido por Blue Hole, que possui 55 metros de profundidade e se conecta ao mar através de um estreito túnel. A água doce vem de fontes que estão a aproximadamente 40 metros.

Mas afinal, precisamos mais do que isso? Com certeza não!

Boiando na Blue Lagoon

PORT ANTONIO

Fiquei apenas um dia nessa simpática cidade, o suficiente para conhecer a Clock Tower e caminhar pelo colorido mercado de frutas e artesanato Musgrave Market, que são as principais atrações de Port Antonio.

Musgrave Market, o colorido mercado público de Port Antonio
Foto My Port Antonio Facebook Fanpage

MONTEGO BAY

Montego Bay – popularmente conhecida por Mo Bay – é uma importante cidade localizada no noroeste da Jamaica. É a porta de entrada da maioria dos turistas e seu aeroporto é mais movimentado, inclusive, que o da capital Kingston.

Fiquei apenas um dia em Mo Bay e acabei não conhecendo as turísticas praias Doctor’s Cave e Cornwall, que são as mais famosas da região.

Fiquei hospedado no Hostel Bether Court – bom custo benefício.

À noite conheci a Hip Strip, onde se concentram vários bares, restaurantes e algumas lojas de souvenires.

Para experimentar o principal prato da gastronomia local – Jerk – a dica é o movimentado Pork Pit.

Mo Bay sedia, anualmente, o maior festival de Reggae do país. O Red Stripe Reggae Sumfest rola no mês de julho e a festa dura uma semana. Reúne os principais artistas do reggae e atrai milhares de fãs.

 

NEGRIL

Negril é uma das cidades mais turísticas da Jamaica. Isso se deve pela proximidade com a vizinha Montego Bay, a qual conta com um importante aeroporto e é ponto de parada de muitos dos cruzeiros que navegam pelas águas caribenhas. Mas esse não é o único motivo. Negril tem lindas e tranquilas praias, ótimas para relaxar, tomar uma Red Stripe gelada e admirar o pôr do sol.

Outro motivo pelo qual é bastante procurada se dá em virtude do famoso Ricks Caféconsiderado um dos melhores bares de praia do mundo. Localizado no topo de um penhasco em West End Road, o bar encanta a todos pela deslumbrante vista. O pôr do sol é motivo de celebração diária, com direito a música ao vivo de artistas locais. Embora a entrada não seja cobrada, os preços das comidas e bebidas não são nada baratos. Os turistas e locais mais corajosos podem também arriscar um salto no mar, feito a partir de uma plataforma de aproximadamente 12 metros de altura. Além do visual e da sensação de queda, há uma gruta bastante bonita como prêmio.

Negril é também um ótimo local para degustar a comida típica da Jamaica. Há diversos restaurantes que servem o tradicional Jerk – Carne de porco ou frango, marinada em um tempero bastante apimentado, geralmente acompanhado de arroz, bananas fritas e vegetais. Jantei no restaurante 3 Dives Jerk Centre, conhecido pela atmosfera simples e boa comida.

Os pequenos chalés da Secret Cabins of Firefly Cottages são ótimas opções de hospedagem. Bem localizados – quase na areia da praia de Long Bay – possuem 2 camas e preço justo. É a escolha da maioria dos mochileiros, uma vez que não há opção de hostel na cidade.

 

TREASURE BEACH

A atração principal dessa agradável região, a qual ainda não foi tomada pelos resorts e grandes hotéis, é o Pelican Bar. A pitoresca palafita está localizada há 1 km da costa e só é acessível via barco.  É uma ótima opção para degustar uma Red Stripe gelada e observar a vida marinha que às vezes aparece por ali – peixes, arraias e, com muita sorte, golfinhos.

Pelican Bar

Dentro do Pelican bar há artesanatos típicos à venda. Turistas deixam objetos pelo local – bandeiras, bonés, notas de dinheiro, camisetas, cartões etc. – deixando o lugar ainda mais curioso. Enquanto os visitantes desfrutam do bar e da paisagem, os capitães dos barcos se distraem apostando em partidas de dominó.

Dentro do Pelican Bar

Para chegar até lá é necessário contratar um capitão. O divertido Capitão Joseph foi quem me levou até lá. No caminho ele vai mostrando diversas praias e dando informações daquela região. Cobrou um preço bastante justo (J$ 2000, out/12), comparado com outros capitães. Bastante requisitado, ele faz diversos tours pela região e pode ser encontrado através do site TripAdvisor (Captain Joseph Treasure Beach Adventures). Vale a pena reservar com antecedência.

O figura Captain Joseph

De volta à terra, a Frenchman´s Beach é uma ótima pedida para contemplar o pôr do sol.

Fim de tarde na Frenchman’s Beach

Eu me hospedei no Waikiki Guest House. O preço é acessível (paguei US$ 10 em out/2012) e a localização é ótima: quase na areia da Frenchman´s beach. As acomodações são simples, mas limpas e arejadas. A pousada possui um bar que serve boa comida e cerveja gelada.

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

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