O colorido bairro La Boca América / América do Sul / Argentina

Feiras ao ar livre, Caminito, ruas elegantes e arborizadas, choripan, Cemitério da Recoleta, empanadas deliciosas, Plaza de Mayo, armazéns do século XIX, tango por todos os lados, Obelisco, livrarias, boas carnes e bons vinhos… Ahhh Buenos Aires!!! Tudo isso e muito mais você encontrará por lá. Mas para chegar a todos esses lugares e aproveitá-los ao máximo, deixo aqui, querido(a) leitor(a), algumas dicas valiosas da linda Capital Porteña. 

O colorido bairro La Boca
O colorido bairro La Boca

TRANSPORTE

Chegando em Buenos Aires pelo Aeroporto Ezeiza

Sim, o aeroporto fica um pouco afastado de Buenos Aires, na localidade de Ezeiza (daí o nome!), a uns 30 e poucos quilômetros do centro da cidade. Mas garanto que você não terá problemas em encontrar um transporte adequado para seu hostel/hotel ou qualquer outro ponto da capital. Tudo vai depender do tempo do deslocamento e quanto você estará disposto a investir. Abaixo estão as opções:

Táxi Ezeiza – é o táxi oficial do aeroporto. Sem dúvida é o mais seguro, pois trabalham com valores fixos para qualquer parte da cidade e você paga a corrida nos guichês da empresa, localizadas na área de desembarque dos três terminais, antes mesmo de entrar no carro – que são brancos, diferentemente dos táxis comuns de Buenos Aires, que são amarelos com preto. Em maio/2015 custava $450 pesos e estavam com uma promoção de retorno por $350. Esses valores podem ser pagos em pesos, reais, dólares ou cartões de crédito (cotação oficial), sendo uma ótima opção para aqueles que ainda não cambiaram plata. A única ressalva dessa alternativa é que eles não buscam passageiros em hosteis, caso ainda não tenha sido pago na chegada (senti na pele!!). Ou seja, se você pretende ficar em hostel e quiser usar o serviço do Táxi Ezeiza, sugiro que já deixe paga a viagem de retorno. Clique aqui e acesse o site da companhia.

– Remis – São carros particulares autorizados que fazem os transfers do aeroporto para a capital. Você encontrará vários deles na área de desembarque. O preço costuma ser um pouco mais caro do que o táxi oficial. A empresa Tienda León presta o serviço por $545 pesos argentinos (maio/2015).

– Táxis comuns – caso você saia do aeroporto sem nenhum transporte marcado, dezenas de insistentes taxistas lhe assediarão na tentativa de vender uma corrida. A dica é evitá-los ao máximo, pois há muitas histórias de golpes, desde aumentarem o preço durante a corrida até mesmo casos de assalto.

– Ônibus da empresa Manuel Tienda León – Por $145 pesos argentinos (maio/2015) a empresa oferece o traslado em ônibus desde o aeroporto até o Terminal Madeiro (pertinho da estação de metrô Retiro). O serviço se dá 24 horas por dia, com saídas de 30 em 30 minutos durante o dia e de hora em hora na madrugada. Consulte os horários no site da Tienda León.

Aerobus do Aeroporto Ezeiza. – Fazem o transfer em van a cada meia hora, das 8:45 às 18:15 horas. O ponto de chegada é bastante central: Avenida Belgrano, 254, perto da Casa Rosada. O serviço custa $50 para passageiros sem bagagem e $90 para passageiros com até 2 volumes (maio/2015). Clique aqui e acesse o site da companhia.

– Ônibus nº 8 – a opção mais econômica! Com 7 pesos (maio/15) você pode pegar o ônibus local, que lhe deixa no centro de Buenos Aires. Além do “transfer”, é uma espécie de city-tour, uma vez que passa por diversos bairros da Grande Buenos Aires. A desvantagem pode ser o tempo do percurso (aproximadamente 2 horas) e a limitação de horário. Outro ponto é que para usar os ônibus locais você deve pagar o valor em moedas ou com créditos do cartão SUBE – vou falar dele logo logo.

Aeroporto Ezeiza. Foto Divulgação www.aa2000.com.ar
Aeroporto Ezeiza
Foto Divulgação www.aa2000.com.ar

Chegando em Buenos Aires pelo Aeropoarque Jorge Newbery

Confesso que não sou nenhum especialista do Aeroparque, pois o usei uma única vez. De qualquer forma, sei que é utilizado mais para voos domésticos e seu acesso é mais fácil que o Ezeiza, já que fica dentro de Buenos Aires.

Aeroparque Jorge Newbery
Foto Divulgação www.aeropuertos.net
Aeroparque Jorge Newbery
Foto Divulgação www.aeropuertos.net

Para ir do Aeroparque ao centro da capital porteña você terá as seguintes opções:

– Táxi – Como já disse, o Aeroparque fica dentro da cidade. Assim, a tarifa do táxi vai ser a mostrada pelo taxímetro. Sugiro utilizar o táxi oficial, localizado logo à esquerda do desembarque. Vale a mesma dica do Ezeiza: evite pegar os táxis de fora do aeroporto, pois o risco de você ter problemas com o seu taxista é bastante grande.

– Ônibus da empresa Manuel Tienda León – Assim como para o Ezeiza, a Tienda León tem o transfer regular do Aeroparque ao Terminal Madeiro. O serviço custa $60 pesos argentinos (maio/2015) e os horários podem ser consultados no site da empresa Tienda León.

– Remis – São carros particulares autorizados que fazem os transfers do Aeroparque para o Terminal Madeiro. A empresa Tienda León presta o serviço por $187 pesos argentinos (maio/2015).

– Ônibus locais – algumas linhas param na frente do Aeroparque. São elas a 33, 37, 45 e 160. Mas outra coisa que você deve lembrar é que para usar o sistema de transporte local você deve ter o valor em moedas ou o cartão SUBE com créditos – já explico como ele funciona.


Se locomovendo na cidade

Percorrer Buenos Aires é tarefa fácil e bastante agradável. Muitos dos pontos de interesse são próximos uns dos outros e podem ser feitos à pé. Os mais afastados são facilmente alcançados pelo sistema de transporte público ou por táxis. De qualquer forma, seguem algumas dicas que deixarão sua estada em Buenos Aires muito mais simples:

– Conhecer a cidade à pé – use e abuse desse recurso! Caminhar por Buenos Aires é, para mim, a melhor forma de conhecer a cidade. As ruas são bem sinalizadas e com ajuda de um mapa é bem fácil de chegar a qualquer ponto da capital. Aproveite para olhar a arquitetura dos prédios durante o percurso.

– Táxi – quando está muito tarde, você muito cansado ou o local desejado é muito longe, não adianta: o táxi pode ser a melhor opção. O serviço é relativamente acessível e a oferta de veículos é bastante grande. Atualmente existem duas tarifas para o uso do táxi em Buenos Aires. A “bandeira 1” funciona das 06 as 22 horas e começa com $16.20 pesos argentinos. Já a “bandeira 2” corre das 22 às 06 horas e tem um acréscimo de 20% na tarifa. Sempre utilizei o serviço sem maiores problemas, mas para isso acontecer você deve tomar alguns cuidados:

Notas falsas: Não é raro ouvir histórias de entrega do troco com nota falsa nos taxis porteños. A solução é simples. Tente não dar bilhetes com valores altos (principalmente a nota de 100 pesos argentinos). Além disso, fique de olho na cédula que você entregar.

Percurso mais longo: fazer o caminho mais longo infelizmente ainda é uma prática muito comum entre os taxistas (não só na Argentina!). A dica é dar uma estudada no mapa antes de entrar no táxi. Smartphones com GPS podem auxiliar também. Vá acompanhando o caminho que você está tomando.

Valores mais altos que o do taxímetro – Pergunte antes de embarcar o valor aproximado da corrida. Caso tenha malas ou mais pessoas lhe acompanharão, questione se o valor abarca também os demais passageiros e/ou as bagagens.

Trechos muito curtos – alguns (maus) profissionais ficam p*&#% da vida quando o itinerário é muito curto, pois às vezes esperam por horas uma corrida e na vez deles o trecho não dá muito lucro. Enfim, paciência. O segredo aqui é informar o local destinado antes de embarcar. Caso ele faça cara feia, procure outro táxi.

– Ônibus e metrô – O sistema público de transporte é bastante abrangente, eficiente e barato. Para usufruí-lo, no entanto, você deverá ter moedas à mão ou o cartão do SUBESistema Único Boleto Electrônico. Os ônibus – chamados coletivos – não aceitam outra forma a não serem estas. Você pode adquirir o cartão SUBE nas estações de metrô ou nas agências lotéricas. O cartão custa $20 pesos e você pode carregá-lo com quanto quiser (mínimo $5 pesos). A vantagem de usar o cartão SUBE é o preço da tarifa: $3,50 nos coletivos e $4,50 no metrô, ao passo que em moedas é cobrado $7 nos ônibus e $5 no metrô (valores de maio/15).

DINHEIRO

Levar dólar ou real?! Trocar dinheiro no Brasil ou na Argentina?! Vale a pena ou não usar meu cartão de crédito?!

Plata – Esse é um dos assuntos que causam mais dor de cabeça nos viajantes, principalmente nos marinheiros de primeira mochilada. Não sem razão, pois desde 2012 há na Argentina um câmbio paralelo ao oficial, o chamado “Câmbio Blue”. Não esqueça: na Argentina não é câmbio negro, é câmbio blue. Negro ou blue, não se preocupe! A conta é bem fácil.

Pesos Argentinos
Pesos argentinos

O primeiro passo é olhar a cotação oficial para ter noção dos valores. Você pode conferir no site do Banco Central. Feito isso, dê uma olhada no site Dolar Blue – lá você encontrará uma referência dos valores que estão sendo aplicados no câmbio paralelo.

Agora que você já tem a informação, basta cruzar os dados. Vou dar um exemplo da minha última ida a Buenos Aires: A cotação no paralelo estava $12,4 pesos argentinos por cada dólar americano, ou $3,7 pesos argentinos por cada real brasileiro. Assim, dividindo 12,4 por 3,7 = 3,35. Ou seja, se eu conseguisse levar dólares comprados por até R$ 3,35 seria vantajoso para mim (valores de maio de 2015). Acabei levando dólares porque consegui a R$ 3,18 por dólar yankee.

Ok. Bonitas contas. Mas onde posso trocar meu dinheiro com uma boa cotação?

Na Calle Florida você encontrará os chamados arbolitos, que são caras que fazem câmbio. Alguns até seguram uma folha de árvore mesmo! Outra opção na mesma rua são os vendedores das bancas de flores – você vai ver diversas delas.

Troquei meus dólares com o atendente de uma loja de calçados da Galeria Colón (Calle Florida, 364, loja 14). Ambiente tranquilo e, em tese, seguro. Pude sentar e conferir com calma o dinheiro que ele me entregava.

Outra opção é o Câmbio Mais Brazucas, que tem escritório na Calle Florida e pode ser contatado facilmente pelo Facebook. Acabei não trocando grana com eles, mas em todos meus contatos fui super bem atendido e vi que trabalhavam com as mesmas cotações que consegui na Calle.

Lembre-se que as casas de câmbio e a maioria dos estabelecimentos irão aceitar seu Real ou Dólar na cotação oficial, o que não será uma grande vantagem. Da mesma forma, evite usar o seu cartão de crédito, pois, caso o faça, além de pagar no valor da cotação oficial você não escapará do IOF no valor de 6,38% de suas compras. Furada!!!

ONDE COMER?

Que a gastronomia porteña é uma das melhores do mundo ninguém tem dúvida! Carnes de qualidade, vinhos bons, iguarias típicas excelentes. Tudo isso com um ótimo preço.

Na capital argentina você encontrará centenas de bons restaurantes. Mas qual escolher sem errar? Uma tática que uso bastante (e tem funcionado muito bem!) é evitar aqueles extremamente turísticos, em frente de atrações turísticas ou aqueles em que fica um chato ou uma chata na frente praticamente te empurrando para dentro do estabelecimento. Tento escapar do eixo turístico ao máximo. Com isso quase sempre consigo bons preços e comidas de melhor qualidade. Um exemplo é a Calle Caminito, no Bairro La Boca. Experimente sair do fervo virando à direita no final da rua, logo em frente aos trilhos, e comer um legítimo Choripan na Parrilla El Gran Paraiso. Outra sugestão é fugir dos restaurantes da Calle Defensa, onde acontece todos os domingos a Feira de San Telmo, e comer uma deliciosa empanada de cebola e queijo no Cycle Bar, na Calle Chile, 356 (Rua da Mafalda). Você não irá se arrepender!

O verdadeiro Choripan!
O verdadeiro Choripan!

ONDE FICAR?

Tudo vai depender da proposta da sua viagem. No centro você estará perto do Obelisco, Plaza de Mayo, Casa Rosada, Calle Florida. Se sua linha é mais para compras de marcas famosas e vida noturna agitada, talvez o Palermo Soho combine mais com você. Caso a proposta seja relaxar e caminhar por ruas calmas e arborizadas, a elegante Recoleta pode ser o bairro ideal. Como você viu no início, transporte para um lado e para outro é o que não vai faltar.

As charmosas ruas de Palermo Soho
As charmosas ruas de Palermo Soho

ONDE COMPRAR?

Confesso que não sou daqueles que saem em busca de compras durante minhas viagens. Mas admito, também, que se vejo alguma coisa interessante com bom preço não deixo escapar.

Em Buenos Aires a rua de compras mais conhecida é a Calle Florida. São centenas de lojas em que você encontrará absolutamente tudo que procurar. Se a proposta é buscar roupas de grife ou as últimas tendências da moda argentina, seu lugar é nas ruas do Palermo Soho (também chamado de Palermo Viejo). Acesse o site do bairro e veja todas as opções.

Lojas de grife e bistrôs se dividem em Palermo Soho.
Lojas de grife e bistrôs se dividem em Palermo Soho

Em minha última ida a Buenos Aires, em maio de 2015, não achei os preços tão convidativos assim. Muitos artigos com o mesmo preço ou até mais caros do que no Brasil. Por outro lado, você encontrará vários itens com personalidade porteña, aqueles que você provavelmente não encontrará em nenhum outro lugar del mundo.

Outra pedida de compras que tem grandes chances de você fazer um bom negócio é no Free Shop do Aeroporto Ezeiza, quando estiver dando um hasta luego para a capital Argentina. Com uma diversidade de produtos e marcas importadas, você pode aproveitar os pesos que sobraram ou os que você guardou especialmente para essa ocasião (sim, aqueles que você comprou baratinho no câmbio paralelo!) e abastecer sua adega, sair com um perfume novo ou até experimentar aquele chocolate que custa o olho da cara no Brasil. A sacada é que no Free Shop você entregará os pesos pela cotação oficial, sendo que você comprou no Cambio Blue.

Bom, amigo(a) viajante, agora que você já tem todas as dicas para aproveitar Buenos Aires da melhor forma, o único trabalho é fazer a mochila!!!

Buen Viaje,

Hasta Pronto!!!

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

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