Delícias tailandesas – uma volta pelos melhores sabores do país

Uma das coisas que alguns viajantes mais buscam durante uma viagem é, sem dúvida, imergir na cultura local. E essa imersão pode ser feita através das mais variadas maneiras, as quais renderiam um post específico à respeito. Entretanto, uma das formas mais lídimas de resgatar o incessante desejo de estar inserido de fato nas atividades genuínas de determinado povo se dá por intermédio da gastronomia. E fazendo um trocadilho bem clichê, a Tailândia é um prato cheio para tanto.

A gastronomia tailandesa ganhou destaque mundial nos anos 60, graças à presença de soldados americanos durante a Guerra do Vietnã. Um típico prato tailandês pode ser definido com uma fusão inteligente e precisa de ingredientes distintos que, como resultado final, despertam as sensações do doce, do apimentado, do azedo e do salgado, na grande maioria das vezes duas ou mais delas mescladas.

Pad Thai (pronuncia-se “patái”), se não o prato mais típico da tailândia, um deles

Você encontrará com muita frequência na culinária Thai alguns ingredientes como a Galanga – uma espécie de gengibre, também conhecido como gengibre tailandês; capim limão; pasta de camarão – que tem um cheiro fortíssimo, para não dizer fedorento; leite de coco; folhas de limão kaffir; aipo chinês; manjericão tailandês etc. Muitos deles são dificilmente encontrados na gastronomia ocidental, motivo que torna a cozinha tailandesa tão exótica e distinta.

Tailândia sendo Tailândia, com seus exóticos ingredientes

Após ter experimentado muitas dessas iguarias nos 6 meses em que morei na Tailândia, seja em modestas – e muitas vezes não tão limpas – banquinhas de rua, seja em bons restaurantes, decidi me aprofundar no tema e me integrar ainda mais na identidade daquele país.

Para tanto, em parceria com a Thai Akha Kitchen estive fazendo uma divertida – e gostosa! – aula de Culinária Thai, que abaixo divido com vocês:

O tour começou cedinho, lá pelas 8:30am, quando o Songthaew (camionetes vermelhas que servem de táxi, muito tradicionais em Chiang Mai) passou no hotel para buscar meu pai, parceiro na viagem da Tailândia e em tantas outras, e eu. A primeira parada foi no interessante e farto Mercado Público, onde a Chef Niti nos conduziu por diversas bancas, apresentando uma infinidade de exóticos produtos típicos, tais como pimentas, vegetais, carnes, doces etc. Fizemos então algumas degustações e adquirimos os insumos necessários para a elaboração dos pratos. O que achei muito interessante no Mercado Público, além das curiosidades gastronômicas é claro, foi ter tido a oportunidade de passar por lugares não turísticos, frequentados pela própria população local.

Cores e Sabores do Mercado Público de Chiang Mai

Compras feitas, sacolas cheias, fomos às dependências da Thai Akha Kitchen para colocarmos a mão na massa, literalmente. O espaço onde são feitas as aulas é sensacional. São equipadas estações de trabalho, onde os alunos ficam dispostos em “U”, enquanto a Chef maestra as receitas, fornecendo o suporte necessário para os alunos.

As confortáveis e equipadas estações de cozinha da Thai Akha Kitchen 

Além da Chef Niti, estava também a Chef Roberta, uma brasileira muito querida e profissional que está realizando um voluntariado na escola e que nos auxiliou muito durante toda a experiência. Ela tem dado um super apoio por lá, principalmente aos brasileiros que precisam de tradução, já que a aula é feita em inglês.

Na aula você tem a oportunidade de escolher, executar e experimentar 11 receitas da culinária típica. Sim, onze!!! É prato que não acaba mais.

“A comida tailandesa não é baseada em simplicidade. Trata-se de fazer malabarismo com elementos díspares a fim de criar um resultado final harmonioso. Como um complexo acorde musical, é preciso ter um superfície suave, não importa o que aconteça em seu interior. Simplicidade não é regra aqui, de forma alguma. Os ocidentais veem como uma confusão de sabores, mas, para um tailandês, é a complexidade que o delicia”.

David Thompson, Chef australiano, especializado na cozinha Thai.

Como não poderia ser diferente, iniciamos pelas entradas – faz sentido, não?! – quando preparamos a Papaya Saladsalada com raspas de mamão papaia – e Spring Rollsrolinhos primavera, em português.

Spring Rolls no preparo
Agora sim… Spring Rolls e Papaya Salad, lado a lado

Como um dos pratos principais, tínhamos que escolher 1 entre 4 opções de cardápios elaborados com Pasta de Curry. São eles o Red Curry Chicken, Green Curry Chicken, Panang Chicken Curry e o meu preferido nesta categoria, o Massaman Chicken Curryiguaria essa que foi minha refeição muitas vezes nesses 6 meses. Para variar um pouco escolhi preparar o Chicken Red Curry enquanto meu pai fez o Chicken Panang Curry. O mais bacana é que na Thai Akha não é usado qualquer tipo de pó ou tempero industrializado como base. A pasta é feita à moda antiga, moendo os ingredientes.

Com a mão na massa… digo, na Pasta de Curry! 
Só delícia nessa aula

Para a segunda categoria de pratos fortes, tal qual como a primeira, tínhamos que optar por uma entre quatro opções. Essa categoria é a do Stir Fried, que traduzido seria mais ou menos “misturado e frito”. Talvez esse seja o tipo de prato mais comum nas bancas de rua no país. As opções eram: Sweet and Sour Vegetables with Chicken prato agridoce com vegetais e frango; Chicken with Cashew Nutsfrango com castanha de caju; Chicken with hot Basil frango com manjericão; e o glorioso Pad Thaimacarrão de arroz cozido, alguma opção de carne, tofu, amendoim picado, broto de feijão, alho, chili, condimento à base de peixe fermentado e ovos, tudo frito junto – que se não o prato mais representativo da culinária tailandesa, um deles. Por ter sido a principal refeição durante minha temporada no país, escolhi ele – e foi o melhor Pad Thai que comi na Tailândia, modéstia à parte -, e meu pai optou pelo Chicken with Hot Basil, que também ficou muito gostoso.

Chicken Stir Fried with Hot Basil. Uma delícia! 

A terceira e última categoria de pratos principais eram sopas! Seguindo a mesma linha, tínhamos que pegar 1 entre 3 opções disponíveis – Chicken and Coconut Milk – sopa com leite de coco e frango; Hot and Sour Prawn Soup – tipo uma sopa agridoce com camarão; e uma opção vegetariana, a Clear Soup and Egg Tofu. Optamos por fazer a sopa com frango.

Chicken and Coconut Milk – sopa com leite de coco e frango

Teve ainda um bônus de 3 pratos da culinária Akha. Mas afinal, o que significa “Akha”?! Em resumo, as pessoas Akha imigraram da China, Laos e Mianmar no início de 1900, se tornando cidadãos tailandeses. Atualmente, há 80 mil pessoas Akha vivendo em pequenas aldeias nas montanhas da Tailândia, mantendo suas próprias tradições, cultura (incluindo a gastronomia!), crenças, as quais são diferentes do resto da Tailândia. A Chef Niti vem de uma tribo Akha e divulga sua cultura com muito orgulho.

Pois bem, agora que já temos uma ideia do que significa o “Akha”, posso dizer que preparamos 3 pratos típicos: o Sapi Thong espécie de molho de tomate, muito utilizado como acompanhamento para qualquer vegetal; a Salada Akha – tomate, pepino, coentro, suco de limão, sal, pimenta e amendoim moído; e a Sopa Akha – feita sempre com vegetais da estação.

Meu pai concentradíssimo na receita 
Delícias da cultura Akha

Por fim, hora da sobremesa!!! Fizemos então uma Abóbora no Leite de Coco e um dos pratos mais tradicionais e famosos da Tailândia, o Mango Sticky Rice, que é uma espécie de arroz doce nosso, porém com manga. Uma delícia!

Coconut Milk Stewed Pumpking
Mango Sticky Rice – muito típico da Tailândia

Íamos preparando as iguarias e as experimentando. Inclusive a dos colegas do lado. Para os pratos principais, sentamos à mesa e fizemos uma refeição em conjunto, oportunidade para conhecer outros viajantes e trocar informações sobre seus países de origem.

Nem preciso dizer que ao final da experiência estava mais do que satisfeito, tanto saciado quanto em conhecimento, pois é simplesmente sensacional saber mais da cultura de um determinado povo de uma forma divertida e saborosa como essa.


Informações que você precisa saber:

A Thai Akha Kitchen – Cooking School é uma renomada escola de culinária tailandesa, sediada em Chiang Mai, a qual oferece aulas de gastronomia típica aos viajantes. Também é a primeira e única escola onde é possível aprender, além da culinária tailandesa, um pouco da cultura Akha, conforme explicado acima.

Na Thai Akha você tem a oportunidade de aprender 11 pratos ao todo, diferentemente da maioria das outras escolas, que são limitadas em 6. Além disso, as aulas são super personalizadas, turmas pequenas e ministradas em um excelente inglês pela Chef Thai Akha.

É vegetariano(a)?! Sem problemas! Todas as receitas são à base de vegetais e podem ser adaptadas facilmente à sua dieta.

São oferecidos basicamente 2 programas: Morning Classdas 9am às 3pm, custa R$ 1000 Baths (aprox. R$ 100) – e Evening Class das 5am às 9pm, custa R$ 900 Baths (aprox. R$ 90). A única diferença é que na Morning Class há uma visita ao Mercado Local antes da aula propriamente dita, enquanto na Evening Class a aula inicia diretamente na Thai Akha Kitchen. Independente do programa escolhido, está incluído o transporte de/para seu hotel/hostel, um livro de 20 páginas com as receitas que você prepara na aula, todos os ingredientes necessários para a produção dos pratos, água e chá. Nas dependências da escola tem também free WiFi e tomadas para carregar seu telefone/câmera etc.

Reservas são necessárias e você pode fazer através do website da Thai Akha Cooking School [clique aqui]Para maiores informações vale a pena dar uma olhada no site da Thai Akha Kitchen Cooking SchoolConfira a Thai Akha também nas Redes Sociais! Tem muita coisa legal por lá! O Instagram é esse aqui e o Facebook é esse aqui.

Thai Akha Logo

O TravelerBR fez o programa Morning Class em parceria com o Thai Akha Kitchen Cooking School.

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

Related Posts