Bate volta em Chiang Rai e arredores Ásia / Tailândia

Chiang Rai é uma interessante e pacata cidade localizada no extremo norte da Tailândia, capital da província homônima, e um dos principais destinos daqueles que visitam a famosa vizinha Chiang Mai, uma vez que apenas cerca de 180 km de distância as separam.

Além disso, ela tem um viés histórico muito interessante, já que sua trajetória é cheia de altos e baixos. Em uma apertada síntese, após sua fundação tornou-se a capital do Reino de Phaya Mangrai, mas posteriormente foi tomada por Myanmar, a qual a dominou por muito tempo. Anos depois, já no século XVIII, voltou a fazer parte da Tailândia, agora no Reino de Sião, pertencendo, assim, à Chiang Mai. Apenas no século XX, mais precisamente em 1910, Chiang Rai passou a ostentar o título de província tailandesa.

No entanto, não é somente pela proximidade com Chiang Mai nem pelo seu cunho histórico e cultural que Chiang Rai vem ganhando espaço no roteiro dos viajantes, mas sim por abrigar o imponente Wat Rong Khun, o Templo Branco, o qual comentarei um pouco mais abaixo.

Para visitar a cidade você tem algumas boas opções: Pode ir por conta própria, utilizando o transporte público rodoviário tailandês, inclusive ficando uma ou algumas noites ou, no caso de um roteiro mais enxuto ou simplesmente por preferir “gastar” as noites da sua viagem por lá, pode pegar um tour de um dia, o famoso bate-volta, a qual foi a opção por mim escolhida.

Em parceria com o pessoal do Stay in Chiang Mai estive fazendo o tour de um dia por Chiang Rai e arredores e abaixo conto para vocês, queridos leitores, como se deu essa experiência:

Cedinho da manhã, no horário combinado, a recepcionista do hotel chamava ao telefone avisando que o guia Jim estava a minha espera. Em poucos minutos rodando por Chiang Mai havíamos coletado o grupo completo e partíamos para a primeira parada do tour, um local com dois poços de águas termais – “Hot Springs”. Na verdade, está mais para uma parada com comércio, ideal para ir ao banheiro ou comer/tomar algo (tem uma Seven Eleven!), do que propriamente uma atracão turística. De qualquer maneira, achei bastante curioso senhoras tailandesas vendendo ovos de galinha e de codorna, crus, em uma cestinha de vime, para os turistas cozinharem nas águas quentes dos poços.

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Um dos poços de águas termais
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Cesta com ovos de galinha e codorna, para serem cozidos nas águas dos poços

De volta a van – e mais uma hora e meia de estrada – chegávamos a um dos pontos altos do passeio, a visita ao Wat Rong Khun, mais conhecido como Templo Branco. O Templo Branco é uma construção recente se comparada aos demais Templos Budistas da Tailândia. Idealizado pelo renomado artista local Ajarn Chalermchai Kositpipat, foi construído em 1997 para ser o mais lindo templo do mundo, com o escopo de mostrar a glória das artes modernas budistas. O Wat Rong Khun vai além de um mero templo, é uma expressão de arte. Para sua criação, Chalermchai contou com a ajuda de mais 80 devotos. Ele não aceitou qualquer tipo de doação, seja de ordem pública ou privada, a fim de ter liberdade para criar o templo da forma que entendesse, sem qualquer tipo de influência. O resultado foi surpreendente!

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O imponente Templo Branco
A riqueza de detalhes impressiona

Seu interior é tão rico quanto a parte externa, no entanto, não é permitido fotografar. A entrada no Templo Branco custa 50 Baths (aproximadamente R$ 5), mas o bilhete já estava incluído no valor do passeio.

Junto ao Templo Branco está o Golden Templetão lindo quanto o Branco –, que abriga o Golden Toilet, um banheiro inteiramente dourado. Acabei não ingressando uma vez que havia uma fila enorme.

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Templo Dourado

Saindo de lá fomos então para o ponto que para mim era o mais esperado do dia, a Long Neck Karen Village, chamada também de tribo das mulheres-girafas. Assim como os passeios em elefantes, esse é um tour que divide opiniões entre os viajantes, pois há quem goste e há quem repudie.

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Karen Long Neck Village – a tribo das mulheres girafas

Pois bem, sem a pretensão de me aprofundar em questões históricas e políticas, basicamente trata-se de uma comunidade refugiada do Myanmar, antiga Birmânia, em razão de perseguições étnicas. Em resumo, a tribo abandona seu local de origem e passa a viver nos arredores de Chiang Rai. Para subsistência, além da agricultura, passaram a cultivar o ópio, motivo que desagradou o governo tailandês. Até os dias atuais a questão diplomática não é bem resolvida, pois há rumores que o governo “fecha os olhos” para tal grupo, como simplesmente não existissem. Verdade, ou não, o fato é que há muito tempo assisti a um documentário e, desde então, tinha curiosidade para conhecê-las de perto.

Hoje em dia a comunidade se sustenta basicamente do comércio de artesanatos e um pouco de agricultura.

A vila é bastante simples e conta apenas com uma parte central, onde estão as barracas de artesanato. Atrás delas ficam as cabanas dos moradores.

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Barracas de artesanato na Karen Long Neck Village

As mulheres-girafas são bastante receptivas e permitem fazer fotos. Claro, sempre recomendado pedir primeiro. O curioso adoro consiste em argolas de metal que pesam aproximadamente 10 quilos, as quais são dispostas ao redor do pescoço das mulheres da tribo, quando ainda muito jovens.

Em realidade não é o pescoço que alonga com o passar dos anos, mas sim os ombros que descem em razão do peso das citadas argolas. Quanto mais idade, maior será pescoço. Há duas hipóteses para seu uso:

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Quanto mais idade, maior será pescoço

A primeira delas sustenta que as mulheres usavam tais adornos para se protegerem de ataques de animais selvagens, como o tigre, por exemplo. Já a segunda aduz que o uso se dava apenas por fins estéticos. Independente do motivo, hoje em dia as argolas são usadas por mera tradição.

Para aumentarem o tamanho das argolas, o adorno é removido e então é adicionado um novo, inserindo um novo “espiral” redor do pescoço. Essa troca é super delicada, pois como o pescoço está bastante longo e não há mais o suporte, há grande risco de lesões.

Saindo da Long Neck Village almoçamos em um restaurante simples, mas muito gostoso, com variada comida tailandesa. Após a refeição fomos dar uma espiada no pórtico do extremo norte tailandês, já na fronteira com o Myanmar (ainda não é o Golden Triangle). Chovia muito e só espiamos mesmo. O guia Jim, muito divertido, explicou algumas curiosidades sobre a relação entre os dois países.

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Pórtico da Fronteira Tailândia Myanmar

O próximo destino foi o Triângulo Dourado, que compreende a fronteira entre Tailândia, Laos e Myanmar. O Rio Mekong divide os três países.

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À esquerda Tailândia; à direta Laos e ao fundo Myanmar

Embarcados, cruzamos as águas internacionais do Rio Mekong, chegando a Ilha de Donsao, já em Laos.

A comunidade que lá habita é bastante simples e vive basicamente do comércio, que inclui artesanatos, produtos de higiene, produtos falsificados, dentre diversos outros itens. Apesar de não ter comprado nada, me diverti tirando foto das curiosas cachaças artesanais por eles produzidas, elaboradas com escorpião, cobra, lagarto e outras excentricidades. Só tirei fotos mesmo, não me arrisquei a provar.

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Servido?!

No retorno à Tailândia pudemos apreciar um lindo final de tarde a partir do barco.

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Após o dia chuvoso, um lindo final de tarde no Rio Mekong

Então era hora de voltar a Chiang Mai! 3 horas de estrada e estava de volta ao hotel, com o dia recheado dessas ótimas experiências.


Informações que você precisa saber:

O Stay In Chiang Mai Holiday Rentals & Tours é uma sólida empresa sediada em Chiang Mai, a qual oferece serviços de aluguel de propriedades e tours, desde o ano de 2013.

Esse programa que você leu acima é o Day Trip to Chiang Rai, White Temple, Opium Museum and Golden Triangle. Seu custo é de 1600 Baths (aproximadamente R$ 160) e inclui o transporte em uma van para 13 pessoas, seguro, guia, almoço no restaurante e visita nos Poços de águas termais, Templo Branco, Templo Negro (que acabamos não indo), Triângulo Dourado, Tribo das Mulheres Girafas (Long Neck Village) e Passeio de Barco até Laos (esse é opcional e tem que pagar uma taxa de 30 Baths – aprox. R$ 3 – para a imigração do país).

Muito importante levar o passaporte nesse passeio, caso opte pelo tour de barco até Laos.

Além do Day Trip to Chiang Rai, a Stay in Chiang Mai oferece diversos outros passeios. Vale a pena dar uma checada no website da empresa (clique aqui). Outra coisa que vale a pena é conferir o Instagram deles, que é @stayinchiangmai.

Para qualquer atividade, reservas são necessárias e você pode fazer diretamente pelo website.

SICM 200-600
Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

  • Cris Gonçalves Dias

    Parabéns, parabéns, além de ter detalhado adorei o “Informações que você precisa saber:”, pois ali descreve valores site tudo enfim que daria varias perguntas, e já está ali. Ajudou muito.

    • Olá Cris!
      Muito obrigado por acompanhar o Blog TravelerBR e pelo feedback! Fico muito contente que tenha gostado do post! Vou postando bastante também no Instagram @BlogTravelerBR, o qual deixo meu convite para conhecer. Qualquer informação fico à disposição! Um abraço

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