Igreja Matriz, à beira do Rio Perequê-Açú Brasil / Rio de Janeiro

Você já conhece Paraty? Localizada no estado do Rio de Janeiro, a cidade é uma graça por si só e, mesmo sem nenhuma razão em especial, já vale a visita. Tendo motivos então, nem se fala! Considerada Patrimônio Histórico Nacional a bela cidade colonial preserva até hoje os seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos. Neste post listo algumas justificativas pelas quais você deve considerar Paraty como destino de sua próxima escapada. Confira abaixo os 13 motivos para você visitá-la.

1. Porque é uma das cidades mais charmosas do Brasil – Ruas de pedra, casinhas coloridas, praças arborizadas e barquinhos ancorados por todos os lados fazem a atmosfera de Paraty agradável e charmosa.

Ruas de pedra do Centro Histórico de Paraty
Ruas de pedra do Centro Histórico de Paraty

2. Porque é uma verdadeira aula de história – Ao caminhar pelas ruas de pedras irregulares do centro histórico você certamente terá a impressão de ter voltado no tempo. E isso se dá pelos bem preservados casarios e igrejas por lá existentes, resquícios da colonização portuguesa ocorrida em meados do século XII, mais precisamente 1667, quando Paraty foi oficialmente estabelecida como uma cidade. Anteriormente era habitada pelos índios Guaianás.

Paraty colonial
Paraty colonial

3. Porque é cercada de belezas naturais – Na bela Paraty, para onde quer que se olhe, você encontrará belezas naturais. Seja pela linda vista do Rio Perequê-Açú, seja pela imponente Serra da Bocaina, integrante da mata atlântica. Além disso, a região conta também com inúmeras praias e cachoeiras, muitas delas somente acessíveis por barcos ou trilhas.

4. Porque as principais atrações são muito próximas umas das outras – Poder apenas caminhar entre um ponto de interesse e outro, sem depender de nenhum meio de transporte, é uma grande vantagem para qualquer viajante. E o barato de Paraty é esse! Apenas caminhe de forma despreocupada pelas suas ruas de pedra e eu garanto que sua viagem será incrível. Mas antes de começar seu itinerário, sugiro você seguir duas dicas que farão toda a diferença na sua experiência na cidade: a primeira é usar um calçado confortável e adequado, já que o piso é todo em pedra – foi preservado o mesmo calçamento da época da colonização. A segunda sugestão é pegar um mapa da cidade no Centro de Informações Turísticas, pois, embora o Centro Histórico seja pequeno, as ruas são parecidas e não é difícil se confundir nelas.

Ruas de pedra do Centro Histórico – melhor usar um calçado confortável. Salto alto e chinelos, nem pensar!
A bela Paraty às margens do Rio Perequê-Açú e, ao fundo, a Serra da Bocaina

Você pode começar sua caminhada com uma visita às igrejas de Paraty – Igreja Matriz, a Nossa Senhora dos Remédios, que fica na Praça da Matriz, ao lado do Rio Perequê-Açú; Igreja Nossa Senhora do Rosário, na Rua do Comércio; Igreja Nossa Senhora da Dores, a Capelinha, na Rua da Praia e, por fim, a Igreja de Santa Rita, próxima ao cais.

Além disso, ainda no Centro Histórico, vale muito a pena dar uma passada na Casa de Cultura, uma caminhada no Cais e na Orla do Rio Perequê-Açú e fazer uma visita às Praças da Matriz, da Bandeira e do Chafariz.

Saindo um pouco do Centro Histórico, mas não muito longe, você pode dar uma caminhada até o Forte Defensor Perpétuo, o único forte ainda existente em Paraty. No local funciona um interessante museu.

5. Porque quando a cidade alaga, não vira um desastre, mas sim um espetáculo – Talvez seja um dos únicos lugares do mundo em que uma “enchente” não seja sinônimo de desastre. O que ocorre, na verdade, é que por estar localizada quase ao nível do mar, quando a maré sobe, muitas das ruas de Paraty ficam praticamente inundadas. O fenômeno, que em um primeiro momento pode parecer um transtorno, se torna uma grande oportunidade para belíssimas fotos.

6. Porque tem várias cachaçarias – Em Paraty até existem as tradicionais “lojas de lembrancinhas”, mas quem rouba a cena não são elas, e sim as cachaçarias. Existem diversas delas espalhadas pelo Centro Histórico, uma mais completa que a outra. Além das tradicionais cachaças, produto típico da região, esses estabelecimentos vendem diversos outros artigos coloniais, como geleias, doces, pimentas etc. Uma delícia! Mesmo que você não seja fã do destilado, vale a pena fazer as degustações que são oferecidas, já que a cidade é conhecida por ter bons alambiques e produzir cachaças de excelente qualidade.

Cachaça boa é o que não falta em Paraty. Não deixe de experimentar as envelhecidas em barril de carvalho, nem as produzidas com folhas de bergamota/tangernina/mexirica.
Cachaça boa é o que não falta em Paraty. Não deixe de experimentar as envelhecidas em barril de carvalho, nem as produzidas com folhas de bergamota/tangernina/mexirica.

7. Porque basta sair em um passeio de barco para conhecer diversas ilhotas e o lindo litoral – uma coisa tenho que admitir: as praias do centro de Paraty não são lá essas coisas. Em contrapartida, a região conta com inúmeras ilhas e praias belíssimas. A melhor forma de conhecer a Baía de Paraty é via embarcação. Você pode fazer um passeio de escuna, geralmente com bastante gente, música, comida e bebida à bordo, ou fazer um passeio de lancha ou bote inflável, que são opções mais privadas (e mais caras!). Independente da escolha, a Paraty Tours oferece os passeios.

8. Porque a cidade se reinventa durante a noite – Ok. Paraty é linda em qualquer horário. Mas durante a noite a cidade se transforma! As luzes se encaixam perfeitamente no cenário colonial. O resultado não podia ser diferente: um lugar que você não quer ir embora nunca mais.

9. Porque tem uma infinidade de bons restaurantes – A boa gastronomia é um dos pontos altos de Paraty! São inúmeros restaurantes que servem comidas para todos os gostos e bolsos, desde a culinária típica da região – comida caiçara – até as requintadas cozinhas internacional e contemporânea. E aqui vão minhas dicas pessoais: Casa Coupê, na praça principal, serve boa comida por um preço justo e tem um cardápio bastante completo. Comi um Hambúrguer de Picanha excelente. O ideal é sentar na rua e ver o movimento de turistas – mas chegue cedo, o restaurante costuma lotar!; Banana da Terra, o restaurante fica bem pertinho da Casa de Cultura e oferece aves, carnes, peixes, frutos do mar e pratos vegetarianos. Os pratos são bem elaborados e o lugar é bastante agradável. Para comer uma moqueca deliciosa em um lugar bem calmo e tranquilo, vá ao Grumixama. Tem opção de moqueca vegetariana também (uma delícia!). O Margarida Café, bastante concorrido, é uma ótima opção para janta, uma vez que o lugar é lindo e oferece bons pratos. Se a proposta é jantar em um lugar mais cool, busque o Paraty 33. O restaurante serve janta com show e, depois, vira uma boate. Se você procura um restaurante que tenha boas cervejas, vá à Esfiharia e Cervejaria Emirados. Bastante frequentado por locais, o lugar oferece excelentes esfihas – especialidade da casa – e um completo menu de cervejas artesanais. Para a sobremesa, a minha dica é o sorvete do Finlandês. O espaço é bem bacana e os sorvetes são uma delícia. Prove o de framboesa e você não vai se arrepender!

10. Porque sedia diversos eventos culturais – Além das belezas naturais e históricas, Paraty é conhecida também por sediar diversos eventos culturais de grande porte. Sem dúvida, o maior deles é a Festa Literária Internacional de Paraty, a famosa FLIP, que ocorre no mês de julho. Mas nem só da FLIP vive Paraty. Tem também a Festa do Divino, uma importante festa católica que movimenta fiéis de toda a região; O Dança Paraty, um festival que reúne artista de diversos países; O Festival da Cachaça, um dos eventos mais tradicionais da cidade, em razão da excelente qualidade do destilado produzido na região; O Paraty em Foco, um dos maiores eventos internacionais de fotografia; dentre outros. A Prefeitura de Paraty, por intermédio da Secretaria de Turismo, disponibiliza o Calendário de Eventos Turísticos e Culturais do ano todo. Confira a programação no site da Prefeitura. O de 2015 é esse:

Calendário de Eventos 2015
Calendário de Eventos 2015

11. Porque lá termina a histórica Estrada Real – Paraty faz parte do primeiro caminho aberto pela Coroa Portuguesa para o trânsito e escoamento do ouro extraído de Minas Gerais – principalmente de Vila Rica, atual cidade de Ouro Preto. Depois vieram outros três caminhos, que formam a Estrada Real. Durante todo o percurso há placas indicativas da histórica estrada. Chegando perto de Paraty, você cruzará pela Serra da Bocaina, onde existem algumas cachoeiras e muita beleza natural (volte um pouquinho e dê uma olhada na dica nº 3!).

Placa indicativa da Estrada Real
Placa indicativa da Estrada Real

Além disso, você encontrará alguns restaurantes típicos e alambiques. Imperdível é a visita ao Engenho D’Ouro, um alambique artesanal que produz 6 tipos de excelentes e premiadas cachaças. O engenho oferece – grátis! – uma explicação do processo de produção, além da degustação dos destilados por lá fabricados – Não esqueça de provar a cachaça “Gabriela”, feita com cravo e canela.

O local ainda conta com um restaurante que, além de servir comida caseira feita no fogão à lenha, tem como especialidade a galinha caipira. A iguaria é tão famosa que as chefes do restaurante cozinharam para a Ana Maria Braga, no programa Mais Você. E não só o prato é uma delícia: a vista para as montanhas verdes da Serra da Bocaina contribuem para a experiência!

Especialidade do Restaurante Engenho D’Ouro – a casa da galinha caipira. Ao fundo, as montanhas verdes da Serra da Bocaina.
Especialidade do Restaurante Engenho D’Ouro – a casa da galinha caipira. Ao fundo, as montanhas verdes da Serra da Bocaina.

12. Porque existem opções de hospedagem para todos os gostos e bolsos – Sim. Paraty tem várias opções de hospedagem. Não. Nem todas delas o preço é o olho da cara. Tudo vai depender, na verdade, do tom que você quer dar na sua viagem. Explico: caso você queira se hospedar no Centro Histórico, onde estão grande parte das pousadas mais refinadas – prepare o bolso. Além disso, lembre-se que lá não é permitido o acesso a carros. Assim, muito provável que sua pousada não tenha estacionamento próprio e talvez você tenha que gastar com isso também. A vantagem é que você estará no point.

Hospedagens mais econômicas costumam estar fora do Centro Histórico, geralmente nos bairros Jabaquara (2km do centro), Caborê (1 km do centro) e Portal (2km do centro). Nesses locais você pode conseguir alguma opção com ótimo custo benefício. Quando fui, em maio de 2015, fiquei hospedado na confortável Pousada Laguna Blue e foi uma ótima escolha. A diária custou R$ 180 (quarto casal), incluindo café da manhã, chá da tarde e estacionamento. Os proprietários e funcionários são muito gentis e estão sempre dispostos a ajudar. Super recomendo!

Há também algumas opções de hospedagem localizadas na estrada para Cunha, na cidade de Penha. São um pouco afastadas do Centro Histórico de Paraty (de 7 a 15 quilômetros), mas perto de alguns alambiques e cachoeiras. A proposta da maioria delas é interação com a natureza e muita tranquilidade.

13. Porque é muito fácil de chegar – Chegar a Paraty é tarefa simples, independente do ponto de partida. O mais comum é partir da cidade do Rio de Janeiro ou de São Paulo – onde estão os aeroportos mais próximos. Considere alugar um carro. Isso lhe dará autonomia para explorar a região de Paraty – Trindade, Penha, praias mais afastadas, etc -, sem depender da contratação de empresas de turismo.

Rodrigo Siqueira

Rodrigo Siqueira

Gaúcho, advogado por formação, instrutor de mergulho e mochileiro por opção. Acredita no turismo simples, sem frescuras. Viaja não só para visitar lugares, mas também para conhecer diferentes culturas, interagir com o povo local e experienciar o novo. Não consegue mais não viajar. Sempre com um mapa à mão, pronto para escolher o próximo destino.
Rodrigo Siqueira

TravelerBR